Resumo: Proponho uma antigenealogia da arte rupestre, deslocando o foco das classificações taxonômicas hierárquicas e formalistas (modelo arborescente), predominantes na arqueologia brasileira, para uma análise baseada nos conceitos de rizoma e duração de Deleuze, Guattari e Bergson. Abordagens tradicionais buscam generalizações, recorrências formais e identidades culturais. Em contraste, a antigenealogia busca a singularidade do fazer, as linhas de fuga e a diferença, tratando a figura como um mapa, aberto.
O método é aplicado à análise do grafismo de um veado (“o galheiro”) na Lapa do Boi de Diamantina/MG). Ignoro a forma final, concentrando-me no mapeamento do movimento de aplicação da tinta (efluência, confluência e curso). Para isso busco gerar mapas a partir de propriedades específicas descritas in situ. A análise revela que a “fluidez” do fazer é dotada de um ritmo de intensidade pulsátil, considerando a duração de seu fazer. O mapeamento realizado demonstra o potencial em tratar as durações como movimento e o espaço como expressão de processos de diferenciação.
Palavras-chave: Arqueologia, Antigenealogia, Arte Rupestre, Rizoma
Referência: TOBIAS JUNIOR, ROGÉRIO. Um veado apenas: antigenealogia da arte rupestre. ARTEFILOSOFIA (UFOP), v. 20, p. 28, 2026. DOI: https://doi.org/10.69640/raf.v20i40.8498
Disponível em: https://periodicos.ufop.br/raf/article/view/8498